Não tinha outra filosofia. Nem eu. Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim; embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as cousas a fraseologia, a casca, a ornamentação.
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
A descrição crítica do personagem de Machado de Assis assemelha-se às características dos sofistas, contestados pelos filósofos gregos da Antiguidade, porque se mostra alinhada à
- A
elaboração conceitual de entendimentos.
- B
utilização persuasiva do discurso.
gabarito - C
narração alegórica dos rapsodos.
- D
investigação empírica da physis.
- E
expressão pictográfica da pólis.
Resolução
O personagem de Machado de Assis é descrito como alguém que se preocupa mais com a aparência, a ornamentação e a retórica do que com a substância e a profundidade do conhecimento. Ele se concentra em aprender e usar fórmulas, vocabulário e frases, em vez de buscar uma compreensão conceitual profunda. Essa abordagem é semelhante à dos sofistas na Grécia Antiga, que eram conhecidos por sua habilidade em usar o discurso de maneira persuasiva, muitas vezes valorizando a forma sobre a substância. Portanto, a descrição do personagem se alinha à utilização persuasiva do discurso, característica dos sofistas.