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#27LC · LinguagensENEM - 2024 - 1º Dia (Azul)

    Volta e meia recebo cartinhas de fãs, e alguns são bem jovens, contando como meu trabalho com a música mudou a vida deles. Fico no céu lendo essas coisas e me emociono quando escrevem que não são aceitos pelos pais por serem diferentes, e como minhas músicas são uma companhia e os libertam nessas horas de solidão.
    Sinto que é mais complicado ser jovem hoje, já que nunca tivemos essa superpopulação no planeta: haja competitividade, culto à beleza, ter filho ou não, estudar, ralar para arranjar trabalho, ser mal remunerado, ser bombardeado com trocentas informações, lavegens cerebrais...
    Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa moçada dizer a ela que a fera é pesada mesmo, mas que a juventude é a savana e o leão, a maré de tempestade muda. Queria dar beijinhos sem fim: que vale a pena estudar, pesquisar, ler mais. Mas, enfim, não há sinal de saudade em estar bem-adaptado a uma sociedade doente, que o que é normal para uma aranha é o caos para uma mosca.
    Meninada, sintam-se beijados e beijadas pelo vô Rita.

RITA LEE. Outra autobiografia. São Paulo: Globo Livros, 2023.

 

Como estratégia para se aproximar de seu leitor, a autora usa uma postura de empatia explicitada em

  1. A

    “Volta e meia recebo cartinhas de fãs, e alguns são bem jovens.”

  2. B

    “Fico no céu lendo essas coisas.”

  3. C

    “Sinto que é mais complicado ser jovem hoje.”

    gabarito
  4. D

    “Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa moçada.”

  5. E

    “Diria que não há sinal de saudade em estar bem-adaptado a uma sociedade doente.”

Resolução

A resposta correta é a letra C porque a autora expressa uma compreensão profunda e sensível das dificuldades enfrentadas pela juventude contemporânea. Ao afirmar que "Sinto que é mais complicado ser jovem hoje", ela demonstra empatia ao reconhecer os desafios específicos que os jovens enfrentam em um mundo marcado por uma série de pressões sociais, como a competitividade, o culto à beleza, as dificuldades de inserção no mercado de trabalho e a sobrecarga de informações.
Essa declaração vai além de uma simples observação; ela reflete uma conexão emocional com os sentimentos e experiências dos jovens. A autora não apenas observa que a juventude enfrenta dificuldades, mas também se coloca no lugar deles, reconhecendo que essas dificuldades são reais e significativas. Isso cria um espaço de diálogo e acolhimento, onde os jovens podem se sentir compreendidos e apoiados.
Além disso, a autora utiliza uma linguagem que é ao mesmo tempo coloquial e afetuosa, reforçando a ideia de que ela se preocupa genuinamente com o bem-estar dos jovens. Essa postura empática é fundamental para estabelecer uma relação de proximidade entre a autora e seus leitores, especialmente aqueles que se sentem isolados ou incompreendidos.
Portanto, a expressão da empatia na frase mencionada é um elemento central que torna a mensagem da autora mais acessível e reconfortante para os jovens, mostrando que ela está atenta às suas lutas e se importa com suas experiências.