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#117LC · LinguagensENEM - 2010 - 2° Dia

Soneto

 

Já da morte o palor me cobre o rosto, 
Nos lábios meus o alento desfalece, 
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

 

Do leito embalde no macio encosto
Tento o sono reter!... já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece... 
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

 

O adeus, o teu adeus, minha saudade, 
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

 

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos por piedade, 
Olhos por quem viveu quem já não vive!

AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.

O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é

  1. A

    a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte.

  2. B

    a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda.

    gabarito
  3. C

    o descontrole das emoções provocado pela autopiedade.

  4. D

    o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa.

  5. E

    o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.

Resolução

O versos a seguir: "Do leito embalde do macio encosto/ Tento o sono reter!... já esmorece/ O corpo exausto que o repouso esquece.../ Eis o estado em que a mágoa me tem posto!" expressam uma melancolia, a qual caracteriza o lirismo no soneto.