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#37LC · LinguagensENEM - 2020 - 1° Dia (Prova Rosa)

Senhor Juiz


O instrumento do “crime” que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revólver ou pistola,
Simplesmente, doutor, é um violão.


Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?


Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.


E o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento.

Disponível em: www.migalhas.com br. Acesso em 23 set 2020 (adaptado)


Essa petição de habeas corpus, ao transgredir o rigor da linguagem jurídica,

  1. A

    permite que a narrativa seja objetiva e repleta de sentidos denotativos.

  2. B

    mostra que o cordel explora termos próprios da esfera do direito.

  3. C

    demonstra que o jogo de linguagem proposto atenua a gravidade do delito.

    gabarito
  4. D

    exemplifica como o texto em forma de cordel compromete a solicitação pretendida.

  5. E

    esclarece que os termos “crime” e “processo de contravenção” são sinônimos.

Resolução

A petição de habeas corpus, ao transgredir o rigor da linguagem jurídica, demonstra que o jogo de linguagem proposto tem como intuito atenuar a gravidade do delito. Ao se referir ao instrumento do "crime" como um violão, o autor busca humanizar a situação, mostrando que o delito não é tão grave assim. Além disso, o uso de termos como "doutor" e "pedimos deferimento", que são próprios da linguagem jurídica, mostra que o autor está ciente de que está fazendo um apelo à justiça.