Girassol da madrugada
Teu dedo curioso me segue lento no rosto
Os sulcos, as sombras machucadas por onde a
[vida passou.
Que silêncio, prenda minha... Que desvio triunfal
[da verdade,
Que círculos vagarosos na lagoa em que uma asa
[gratuita roçou...
Tive quatro amores eternos...
O primeiro era moça donzela,
O segundo... eclipse, boi que fala, cataclisma,
O terceiro era a rica senhora,
O quarto éstu... E eu afinal me repousei dos
[meus cuidados
ANDRADE, M. Poesias completas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013 (fragmento).
Perante o outro, o eu lírico revela, na força das memórias evocadas, a
- A
vergonha das marcas provocadas pela passagem do tempo.
- B
indecisão em face das possibilidades afetivas do presente.
- C
serenidade sedimentada pela entrega pacífica ao desejo.
gabarito - D
frustração causada pela vontade de retorno ao passado.
- E
disponibilidade para a exploração do prazer efêmero.
Resolução
No poema de Mário de Andrade, o eu lírico reflete sobre seus amores passados, cada um representando uma fase diferente de sua vida. No entanto, há uma sensação de calma e aceitação em relação a essas experiências, sugerindo que ele não se arrepende ou deseja mudar o passado. Em vez disso, ele parece ter encontrado uma certa paz em suas memórias e na maneira como elas moldaram sua vida. Isso indica uma serenidade que foi sedimentada pela entrega pacífica ao desejo, conforme ele reflete sobre os amores de sua vida.