Com o texto eletrônico, enfim, parece estar ao alcance de nossos olhos e de nossas mãos um sonho muito antigo da humanidade, que se poderia resumir em duas palavras, universalidade e interatividade.
As luzes, que pensavam que Gutenberg tinha propiciado aos homens uma promessa universal, cultivavam um modo de utopia. Elas imaginavam poder, a partir das práticas privadas de cada um, construir um espaço de intercâmbio crítico das ideias e opiniões. O sonho de Kant era que cada um fosse ao mesmo tempo leitor e autor, que emitisse juízos sobre as instituições de seu tempo, quaisquer que elas fossem e que, ao mesmo tempo, pudesse refletir sobre o juízo emitido pelos outros. Aquilo que outrora só era permitido pela comunicação manuscrita ou a circulação dos impressos encontra hoje um suporte poderoso com o texto eletrônico.
CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo; Unesp, 1998.
No trecho apresentado, o sociólogo Roger Chartier caracteriza o texto eletrônico como um poderoso suporte que coloca ao alcance da humanidade o antigo sonho de universalidade e interatividade, uma vez que cada um passa a ser, nesse espaço de interação social, leitor e autor ao mesmo tempo.
A universalidade e a interatividade que o texto eletrônico possibilita estão diretamente relacionadas à função social da internet de
- A
propiciar o livre e imediato acesso às informações e ao intercâmbio de julgamentos.
gabarito - B
globalizar a rede de informações e democratizar o acesso aos saberes.
- C
expandir as relações interpessoais e dar visibilidade aos interesses pessoais.
- D
propiciar entretenimento e acesso a produtos e serviços.
- E
expandir os canais de publicidade e o espaço mercadológico.
Resolução
A internet possibilita acesso a muitas informações, ao passo que permite emissão de julgamentos acerca de opiniões alheias e informações preexistentes - o que caracteriza esse forte intercâmbio crítico de ideias e opiniões. Isso é justificado, no texto, pelo trecho "o sonho de Kant era que cada um fosse ao mesmo tempo leitor e autor, que emitisse juízos sobre as instituições de seu tempo, quaisquer que elas fossem e que, ao mesmo tempo, pudesse refletir sobre o juízo emitido pelos outros".