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#123LC · LinguagensENEM - 2014 - Reaplicação 2° Dia

Sermão da Sexagésima

 

    Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre em si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto? Assim como Deus não é hoje menos onipotente, assim a sua palavra não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, por que não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero começar pregando-me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, que aprendais a ouvir.

VIEIRA, A. Sermões Escolhidos, v. 2. São Paulo: Edameris, 1965.

 

No Sermão da sexagésima, padre Antônio Vieira questiona a eficácia das pregações.

 

Para tanto, apresenta como estratégia discursiva sucessivas interrogações, as quais têm por objetivo principal

  1. A

    provocar a necessidade e o interesse dos fiéis sobre o conteúdo que será abordado no sermão.

    gabarito
  2. B

    conduzir o interlocutor à sua própria reflexão sobre os temas abordados nas pregações. 

  3. C

    apresentar questionamentos para os quais a Igreja não possui respostas.

  4. D

    inserir argumentos à tese defendida pelo pregador sobre a eficácia das pregações. 

  5. E

    questionar a importância das pregações feitas pela Igreja durante os sermões.

Resolução

A alternativa A está correta porque o objetivo principal do autor, ao apresentar sucessivas interrogações, é provocar a necessidade e o interesse dos fiéis sobre o conteúdo que será abordado no sermão. Ao fazer isso, ele questiona a eficácia das pregações e os motivos pelos quais não há frutos das palavras de Deus. As outras alternativas não estão corretas porque não se trata de conduzir o interlocutor à sua própria reflexão, nem de inserir argumentos à tese defendida, nem de apresentar questionamentos para os quais a Igreja não possui respostas, nem de questionar a importância das pregações feitas pela Igreja durante os sermões.