PINHÃO sai ao mesmo tempo que BENONA entra.
BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e quer
falar com você.
EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá
fora, mas não quero falar com ele.
BENONA: Mas Eurico, nós lhe devemos certas atenções.
EURICÃO: Você, que foi a noiva dele. Eu, não !
BENONA: Isso são coisas passadas.
EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi
meu. Esperava que Eudoro, com todo aquele dinheiro,
se tornasse meu cunhado. Era uma boca a menos e um
patrimônio a mais. E o peste me traiu. Agora, parece
que ouviu dizer que eu tenho um tesouro. E vem louco
atrás dele, sedento, atacado de verdadeira hidrofobia.
Vive farejando ouro, como um cachorro da molest’a,
como um urubu, atrás do sangue dos outros. Mas ele
está enganado. Santo Antônio há de proteger minha
pobreza e minha devoção.
SUASSUNA, A. O santo e a porca. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento).
Nesse texto teatral, o emprego das expressões " o peste " e " cachorro da molest//'a " contribui para
- A
marcar a classe social das personagens.
- B
caracterizar usos linguísticos de uma região.
gabarito - C
enfatizar a relação familiar entre as personagens.
- D
sinalizar a influência do gênero nas escolhas vocabulares.
- E
demonstrar o tom autoritário da fala de uma das personagens.
Resolução
O Brasil é marcado, desde os primórdios, por uma miscigenação de culturas e etnias. Com isso, as variações regionais foram formando-se e caracterizando cada estado por sua forma de falar. As expressões “o peste” e “cachorro da molest’a” são típicas do falar nordestino, o que também vai ao encontro do fato de Ariano Suassuna ser um autor que normalmente retrata essa região e suas variações. Logo, a alternativa B está correta.