— O senhor pensa que eu tenho alguma fábrica de dinheiro? (O diretor diz essas coisas a ele, mas olha para todos como quem quer dar uma explicação a todos. Todas as caras sorriem.) Quando seu filho esteve doente, eu o ajudei como pude. Não me peça mais nada. Não me encarregue de pagar as suas contas: já tenho as minhas, e é o que me basta... (Risos.)
O diretor tem o rosto escanhoado, à camisa limpa. À palavra possui um tom educado, de pessoa que convive com gente inteligente, causeuse. O rosto do Dr. Rist resplandece, vermelho e glabro. Um que outro tem os olhos no chão, a atitude discreta.
Naziazeno espera que ele lhe dê as costas, vá reatar a palestra interrompida, aquelas observações sobre a questão social, comunismo e integralismo.
MACHADO. D Os ratos. São Paulo Circulo do Livro. s/d.
A ficção modernista explorou tipos humanos em situação de conflito social.
No fragmento do romancista gaúcho, esse conflito revela a
- A
sujeição moral amplificada pela pobreza.
gabarito - B
crise econômica em expansão nas cidades.
- C
falta de diálogo entre patrões e empregados.
- D
perspicácia marcada pela formação intelectual.
- E
tensão política gerada pelas ideologias vigentes.
Resolução
No início do texto, a fala do diretor constrange o funcionário, que apenas olha para o chão, acatando acrítica de forma resignada.
Fato ocorrido, em partes, pela diferença de posição social ocupada pelas personagens.
Assim, alternativa correta letra A.