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#54CH · HumanasENEM - 2024 - 1º Dia (Azul)

Os grupos dominantes são beneficiados em termos de credibilidade e podem, com isso, controlar falas de membros de outros grupos, descredibilizando seus testemunhos com base em concepções compartilhadas de preconceito de identidade (gênero e raça). Algumas formas de preconceito tornam as declarações das pessoas menos importantes devido ao seu pertencimento a determinado grupo social. Assim, um falante recebe menos credibilidade devido ao preconceito do ouvinte.

KUHNEN, T. Resenha de The Power and Ethics of Knowing, de Miranda Fricker. Revista Princípios, n. 33, 2013.

 

Com base na reflexão suscitada no texto, o preconceito de identidade é responsável por um tipo de injustiça

  1. A

    estética, que normatiza os padrões corporais.

  2. B

    sensorial, que privilegia as habilidades visuais.

  3. C

    afetiva, que impede as expressões emocionais.

  4. D

    epistêmica, que prejudica as trocas informacionais.

    gabarito
  5. E

    econômica, que perpetua as desigualdades materiais.

Resolução

A resposta correta é a letra D, que se refere à injustiça epistêmica. Essa forma de injustiça diz respeito à maneira como o conhecimento e a credibilidade são distribuídos entre diferentes grupos sociais, especialmente em contextos onde há preconceitos relacionados à identidade, como gênero e raça.
No texto, é destacado que os grupos dominantes têm maior credibilidade em suas falas e narrativas, o que lhes permite controlar e descredibilizar as vozes de grupos marginalizados. Isso significa que, quando uma pessoa de um grupo oprimido compartilha sua experiência ou testemunho, esse relato pode ser desconsiderado ou menosprezado devido a preconceitos que o ouvinte possa ter em relação à sua identidade. Assim, a experiência dessa pessoa é desvalorizada, não por sua falta de veracidade, mas por preconceitos que afetam a percepção do ouvinte.
Essa dinâmica resulta em uma injustiça epistêmica, pois as vozes e experiências de certos grupos são silenciadas ou ignoradas, o que impede uma troca informacional justa e equitativa. O conhecimento e a sabedoria que esses grupos poderiam oferecer são desconsiderados, levando a uma visão distorcida da realidade e à perpetuação de estigmas e desigualdades.
Além disso, essa injustiça epistêmica pode ter consequências amplas, como a marginalização de perspectivas importantes que poderiam enriquecer o entendimento social e cultural, e a perpetuação de narrativas que favorecem os grupos dominantes. Portanto, o preconceito de identidade não apenas descredibiliza as vozes de certos indivíduos, mas também cria um ambiente onde o conhecimento é monopolizado, prejudicando a diversidade de experiências e a justiça social.