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#24LC · LinguagensENEM - 2018 - 1° Dia (Amarela)

Dia 20/10

 

    É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de beber e não beber: é preciso não sentir vontade de beber. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso fechar para balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira. É preciso poder beber sem se oferecer em holocausto. É preciso. É preciso não morrer por enquanto. É preciso sobreviver para verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é tempo não morrer na via pública.

TORQUATO NETO. In: MENDONÇA, J. (Org.) Poesia (im)popular brasileira. São Bernardo do Campo: Lamparina Luminosa, 2012.

 

O processo de construção do texto formata uma mensagem por ele dimensionada, uma vez que

  1. A

    configura o estreitamento da linguagem poética.

  2. B

    reflete as lacunas da lucidez em desconstrução.

  3. C

    projeta a persistência das emoções reprimidas.

  4. D

    repercute a consciência da agonia antecipada.

    gabarito
  5. E

    revela a fragmentação das relações humanas.

Resolução

No texto de Torquato Neto, há a repetição de certas expressões, como "é´preciso" e "é preciso não dar de comer aos urubus", o que alegoriza uma morte trágica, trazendo para o hoje, um possível acontecimento futuro Assim, a recorrência de tais trechos revela a consciência da agonia antecipada.