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#15LC · LinguagensENEM - 2022 - 1° Dia (Prova Rosa)

Esaú e Jacó
 

     Bárbara entrou, enquanto o pai pegou da viola e passou ao patamar de pedra, à porta da esquerda. Era uma criaturinha leve e breve, saia bordada, chinelinha no pé. Não se lhe podia negar um corpo airoso. Os cabelos, apanhados no alto da cabeça por um pedaço de fita enxovalhada, faziam-lhe um solidéu natural, cuja borla era suprida por um raminho de arruda. Já vai nisto um pouco de sacerdotisa. O mistério estava nos olhos. Estes eram opacos, não sempre nem tanto que não fossem também lúcidos e agudos, e neste último estado eram igualmente compridos; tão compridos e tão agudos que entravam pela gente abaixo, revolviam o coração e tornavam cá fora, prontos para nova entrada e outro revolvimento. Não te minto dizendo que as duas sentiram tal ou qual fascinação. Bárbara interrogou-as, Natividade disse ao que vinha e entregou-lhe os retratos dos filhos e os cabelos cortados, por lhe haverem dito que bastava.

     — Basta, confirmou Bárbara. Os meninos são seus filhos? 

     — São.

ASSIS, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, 

 

No relato da visita de duas mulheres ricas a uma vidente no Morro do Castelo, a ironia — um dos traços mais representativos da narrativa machadiana — consiste no

  1. A

    modo de vestir dos moradores do morro carioca.

  2. B

    senso pratico em relação as oportunidades de renda.

  3. C

    mistério que cerca as clientes de práticas de vidência.

  4. D

    misto de singeleza e astúcia dos gestos da personagem.

    gabarito
  5. E

    interesse do narrador pelas figuras femininas ambíguas. 

Resolução

A alternativa correta é a letra D, pois o misto de singeleza e astúcia dos gestos da personagem Bárbara é o que caracteriza a ironia na narrativa. A ironia é um dos traços mais marcantes da narrativa machadiana, e é demonstrada através dos gestos da personagem. A alternativa A se refere ao modo de vestir dos moradores do morro carioca, o que não tem relação direta com a ironia da narrativa. A alternativa B se refere ao mistério que cerca as clientes de práticas de vidência, o que não tem relação direta com a ironia da narrativa. A alternativa E se refere ao interesse do narrador pelas figuras femininas ambiguas, o que não tem relação direta com a ironia da narrativa.