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#60CH · HumanasENEM - 2024 - 1º Dia (Azul)

Há experiências de lutas sociais de reapropriação cultural da natureza que são movimentos emblemáticos, como a dos seringueiros no Brasil, que da luta sindical para a comercialização da borracha chegaram a inventar o conceito de reserva extrativista e estão avançando para um novo modo de produção, uma nova racionalidade produtiva, mostrando que é possível viver bem, e não apenas sobreviver, em harmonia com a natureza que habitam. O novo planeta que podemos imaginar é feito desses territórios produtivos que não são apenas economias de autossubsistência mas economias que potencializam a produtividade ecológica de seus territórios.

LEFF, E. Discursos sustentáveis. São Paulo: Cortez, 2010 (adaptado).

 

O texto expõe a possibilidade de uma nova racionalidade produtiva por meio de uma gestão territorial que se baseia na

  1. A

    integração de mercados regidos por pressões regionais.

  2. B

    conexão de valores fundamentados por decisões locais.

    gabarito
  3. C

    unificação de preços delimitados por demandas nacionais.

  4. D

    normatização de regras construídas por instituições mundiais.

  5. E

    valorização de tradições orientadas por determinações globais.

Resolução

A opção correta se fundamenta na ideia de que a nova racionalidade produtiva proposta envolve uma gestão que valoriza a autonomia e as particularidades das comunidades locais. Isso significa que as decisões sobre a produção e o uso dos recursos naturais são tomadas com base nas necessidades, saberes e práticas culturais dos habitantes desses territórios, em vez de serem impostas por forças externas ou por uma lógica de mercado homogênea.
Esse tipo de abordagem promove uma conexão mais profunda entre as pessoas e o ambiente em que vivem, reconhecendo que a cultura local e os conhecimentos tradicionais desempenham um papel fundamental na forma como os recursos são geridos. A valorização dos saberes locais permite que as comunidades desenvolvam práticas sustentáveis que respeitam os ecossistemas e promovem a biodiversidade, ao mesmo tempo em que atendem às suas necessidades econômicas e sociais.
Além disso, essa gestão territorial que se baseia em valores locais pode levar à criação de modelos de produção que são mais resilientes e adaptativos, pois são moldados pela realidade e pelas condições específicas de cada lugar. Isso contrasta com abordagens mais centralizadas ou uniformes, que muitas vezes ignoram as particularidades regionais e podem resultar em práticas insustentáveis.
Portanto, a nova racionalidade produtiva propõe um modelo que não apenas busca a sobrevivência econômica, mas que também visa o bem-estar das comunidades e a harmonia com a natureza, enfatizando a importância de decisões informadas e fundamentadas nas realidades locais. Esse enfoque pode, assim, resultar em economias que não apenas se sustentam, mas que também potencializam a produtividade ecológica e promovem um desenvolvimento mais justo e equitativo.