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#118LC · LinguagensENEM - 2011 - 2° Dia

Guardar

 

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.

Em cofre não se guarda coisa alguma.

Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por

admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por

ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,

isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro.

Do que um pássaro sem voos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,

por isso se declara e declama um poema:

Para guardá-lo:

Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:

Guarde o que quer que guarda um poema:

Por isso o lance do poema:

Por guardar-se o que se quer guardar.

MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001


A memória é um importante recurso do patrimônio cultural de uma nação. Ela está presente nas lembranças do passado e no acervo cultural de um povo. Ao tratar o fazer poético como uma das maneiras de se guardar o que se quer, o texto

  1. A

    ressalta a importância dos estudos históricos para a construção da memória social de um povo.

  2. B

    valoriza as lembranças individuais em detrimento nas narrativas populares ou coletivas.

  3. C

    reforça a capacidade da literatura em promover a subjetividade e os valores humanos.

    gabarito
  4. D

    destaca a importância de reservar o texto literário àqueles que possuem maior repertório cultural.

  5. E

    revela a superioridade da escrita poética como forma ideal de preservação da memória cultural.

Resolução

Por meio da leitura do texto, é possível evidenciar que ele tem o objetivo de relacionar literatura, acervo  e preservação da memória cultural, uma vez que os pensamentos de uma determinada época podem ser notados por meio não só da análise de um poema, como também por meio da compreensão da capacidade subjetiva e dos valores humanos.