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#123LC · LinguagensENEM - 2015 - 2° Dia (Amarela)

À garrafa

 

Contigo adquiro a astúcia

de conter e de conter-me.

Teu estreito gargalo

é uma lição de angústia.

 

Por translúcida pões

o dentro fora e o fora dentro

para que a forma se cumpra

e o espaço ressoe.

 

Até que, farta da constante

prisão da forma, saltes

da mão para o chão

e te estilhaces, suicida,

 

numa explosão

de diamantes.

PAES, J. P. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.

 

A reflexão acerca do fazer poético é um dos mais marcantes atributos da produção literária contemporânea, que, no poema de José Paulo Paes, se expressa por um(a)

  1. A

    reconhecimento, pelo eu lírico, de suas limitações no processo criativo, manifesto na expressão “Por translúcida pões".

  2. B

    subserviência aos princípios do rigor formal e dos cuidados com a precisão metafórica, como se observa em "prisão da forma".

  3. C

    visão progressivamente pessimista, em face da impossibilidade da criação poética, conforme expressa o verso "e te estilhaces, suicida".

  4. D

    processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra, representado pelos versos "numa explosão / de diamantes".

    gabarito
  5. E

    necessidade premente de libertação da prisão representada pela poesia, simbolicamente comparada à "garrafa" a ser "estilhaçada".

Resolução

Cabe salientar que o poema utiliza-se da função metalinguística, ou seja, utiliza o código(escrita) para discorrer sobre o próprio processo de criação . Nesse contexto, o poeta inicia a escrita de maneira contida nos rigores formais, relacionando esses á "uma lição de angústia" e "prisão da forma". Posteriormente, o poeta indica a transmutação da palavra, metaforizada pela explosão da garrafa, e atingindo a plenitude como uma "explosão de diamantes".