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#61CH · HumanasENEM - 2024 - 1º Dia (Azul)

Eu sentia falta do futuro. É claro que eu sabia, muito antes da recorrência dele, que nunca envelheceria. Era muito provável que eu nunca mais fosse ver o oceano de uma altura de trinta mil pés de novo, uma distância tão grande que não dá nem para distinguir as ondas, nem nenhum barco, de um jeito que faz o oceano parecer um enorme e infinito monólito. Eu poderia imaginá-lo. Eu poderia me lembrar dele. Mas não poderia vê-lo de novo, e me ocorreu que a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que o sonho poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.

GREEN, J. A culpa é das estrelas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.

 

O texto apresenta uma reflexão da personagem acerca de um problema característico da filosofia contemporânea, que trata da(s

  1. A

    implicações éticas.

  2. B

    finitude humana.

    gabarito
  3. C

    limitações da linguagem.

  4. D

    pressuposição existencial.

  5. E

    objetividade do conhecimento.

Resolução

A reflexão apresentada no trecho destaca a relação entre a experiência humana e a inevitabilidade da finitude. A personagem expressa um sentimento de nostalgia e perda em relação ao futuro, enfatizando a impossibilidade de reviver momentos passados, como a visão do oceano de uma altura considerável. Essa sensação de falta e a consciência de que não se pode voltar a experimentar algo da mesma forma revela uma profunda meditação sobre os limites da existência humana.
A ideia de que os sonhos nunca são plenamente realizados e que sempre há uma ambição insaciável está intimamente ligada à condição humana de viver em um mundo onde o tempo é linear e as experiências são efêmeras. A consciência da finitude traz à tona a angústia existencial, um tema recorrente na filosofia contemporânea, que busca entender como lidamos com a transitoriedade da vida e a inevitabilidade da morte.
Além disso, a reflexão sugere que, mesmo quando os desejos são alcançados, há uma insatisfação que emerge da comparação entre o que foi vivido e o que poderia ter sido. Essa constante busca por algo mais, por uma experiência que possa preencher um vazio existencial, ilustra a luta humana contra a limitação do tempo e a finitude da vida. Portanto, a temática central da passagem está diretamente relacionada à finitude humana, explorando as emoções e dilemas que surgem dessa condição.