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#133LC · LinguagensENEM - 2013 - 2° Dia (Amarela)

Lusofonia

 

rapariga: s.f., fem. de rapaz: mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.

 

Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada no café, em frente da chávena de café, enquanto alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então, terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café, a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não fique estragada para sempre quando este poema atravessar o atlântico para desembarcar no rio de janeiro. E isto tudo sem pensar em áfrica, porque aí lá terei de escrever sobre a moça do café, para evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é uma palavra que já me está a pôr com dores de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria era escrever um poema sobre a rapariga do café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se pode sentar à mesa porque só servem café ao balcão.

JÚDICE, N. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.


O texto traz em relevo as funções metalinguística e poética.

 

Seu caráter metalinguístico justifica-se pela

  1. A

    discussão da dificuldade de se fazer arte inovadora no mundo contemporâneo.

  2. B

    defesa do movimento artístico da pós-modernidade, típico do século XX.

  3. C

    abordagem de temas do cotidiano, em que a arte se volta para assuntos rotineiros.

  4. D

    tematização do fazer artístico, pela discussão do ato de construção da própria obra.

    gabarito
  5. E

    valorização do efeito de estranhamento causado no público, o que faz a obra ser reconhecida.

Resolução

É característica da função metalinguística  fazer referência da linguagem à própria linguagem ou a uma mensagem, como no trecho “e limitar-me a escrever um poema sobre aquele café...”.