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#103LC · LinguagensENEM - 2016 - 1ª Aplicação - 2° Dia

Soneto VII

 

Onde estou? Este sítio desconheço:

Quem fez tão diferente aquele prado?

Tudo outra natureza tem tomado;

E em contemplá-lo tímido esmoreço.

 

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

De estar a ela um dia reclinado:

Ali em vale um monte está mudado: 

Quanto pode dos anos o progresso!

 

Árvores aqui vi tão florescentes,

Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era;

Mas que venho a estranhar, se estão presentes

Meus males, com que tudo degenera!

COSTA, C, M. Poemas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 jul. 2012

No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que  transparece uma

  1. A

    angústia provocada pela sensação de solidão.

  2. B

    resignação diante das mudanças do meio ambiente.

  3. C

    dúvida existencial em face do espaço desconhecido.

  4. D

    intenção de recriar o passado por meio da paisagem.

  5. E

    empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra.

    gabarito
Resolução

Essa questão remete a uma corrente literária que surgiu na Europa no século XVIII,onde Claudio Manuel  da Costa, autor do poema, foi um dos  principais escritores desse movimento literário no Brasil. O Autor vê refletido na paisagem o seu psíquico, seus pensamentos quando deixa explicito seu desejo por uma vida tranquila que se contrapunha à sua realidade.

Logo, o desejo de tranquilidade refuta-se ao que realmente o eu lirico almejava , como dito no trecho: “Eu me  engano: a região esta  não era; / Mas que venho a estranhar, se estão presentes /Meus males, com que tudo degenera.”

 

Assim, alternativa correta letra E.