Impactos do microplástico
A ação de fatores abióticos aliada à biodeterioração contribuem para a formação de microplásticos, os quais se aderem a outros poluentes orgânicos apolares persistentes, como os derivados de pesticidas lipossolúveis. Há uma proporcionalidade direta entre a solubilidade desses tipos de poluentes e sua concentração nos tecidos dos organismos expostos a eles.
Disponível em: www.ecycle.com.br. Acesso em: 9 dez. 2021 (adaptado).
Em animais vertebrados, essa associação de poluentes será preferencialmente acumulada no tecido
- A
ósseo.
- B
nervoso.
- C
epitelial.
- D
adiposo.
gabarito - E
sanguíneo.
Resolução
O acúmulo de poluentes lipossolúveis em organismos vertebrados está diretamente relacionado às propriedades químicas desses compostos. Os poluentes orgânicos apolares, como os derivados de pesticidas, possuem uma baixa solubilidade em água e uma alta solubilidade em lipídios. Isso significa que, quando esses compostos entram no organismo, eles tendem a se acumular em tecidos que têm uma alta concentração de gordura.
Os tecidos adiposos, que são responsáveis pelo armazenamento de gordura no corpo, atuam como reservatórios para essas substâncias lipofílicas. Quando os poluentes entram na corrente sanguínea, eles se distribuem preferencialmente para os tecidos que contêm maior quantidade de lipídios, como o tecido adiposo. Este fenômeno é conhecido como bioacumulação e é uma preocupação significativa em ecotoxicologia, pois pode levar à toxicidade em organismos e, consequentemente, à biomagnificação nas cadeias alimentares.
Além disso, a capacidade de armazenar esses compostos em tecidos adiposos pode ter implicações para a saúde dos organismos, uma vez que a liberação gradual desses poluentes pode ocorrer ao longo do tempo, especialmente em situações de estresse ou durante o jejum, quando o corpo utiliza suas reservas de gordura. Isso pode resultar em níveis elevados de toxicidade no organismo e afetar funções fisiológicas e comportamentais.
Portanto, a preferência pelo acúmulo de poluentes lipossolúveis no tecido adiposo é uma consequência das propriedades químicas desses compostos e da fisiologia dos organismos vertebrados, que favorecem o armazenamento de substâncias lipofílicas em locais onde a gordura é predominante.