Ainda que a fome ocorrida na Itália em 536 tenha. origem nos eventos climáticos, suas implicações são tanto políticas quanto econômicas. Nos primeiros séculos da Idade Média, o auxílio aos famintos se inscreve no domínio da gestão pública, mesmo quando a ação de. seus agentes é apresentada sob o ângulo da piedade e da caridade individuais, como é o caso da Gália merovingia. Assim, o fato de que as respostas à fome são mostradas, na Gália, como o fruto de iniciativas pessoais fundadas no imperativo da caridade deriva da natureza das fontes do século Vl.
SILVA. M C Os agentes públicos & a forme nos primeiros séculos da Idade Média. Varia Historia. n 60. set -dez 2018 ladaptado).c
Na conjuntura histórica destacada no texto, o dever de agir em face da situação de crise apresentada pertencia à jurisdição
- A
da nobreza, proveniente da obrigação de proteção ao campesinato livre.
- B
da realeza, decorrente do conceito de governo subjacente à monarquia cristã.
gabarito - C
dos mosteiros, resultante do caráter fraternal afirmado nas regras monásticas
- D
dos bispados, consequente da participação dos clérigos nos assuntos comunitários.
- E
das corporações, procedente do padrão assistencialista previsto nas normas estatutárias.
Resolução
A resposta correta é a letra B, pois a jurisdição para lidar com a situação de crise na conjuntura histórica destacada no texto pertencia à realeza, decorrente do conceito de governo subjacente à monarquia cristã. O conceito de governo subjacente à monarquia cristã se baseia na idéia de que o rei é o representante de Deus na Terra, sendo responsável por governar justamente e por cuidar dos seus súditos. Por isso, o dever de agir em face da situação de crise descrita no texto é da realeza. As outras alternativas não são corretas, pois a nobreza não tinha a jurisdição para lidar com a situação de crise, mas apenas a obrigação de proteger o campesinato livre; os mosteiros, assim como os bispados, não tinham jurisdição para lidar com a situação de crise; e as corporações também não tinham jurisdição para lidar com a situação de crise, mas sim o padrão assistencialista previsto nas normas estatutárias.