Pensar la lengua del siglo XXI
Aceptada la dicotomía entre “español general” académico y “español periférico” americano, la capacidad financiera de la Real Academia, apoyada por la corona y las grandes empresas transnacionales españolas, no promueve la conservación de la unidad, sino la unificación del español, dirigida e impuesta desde España (la Fundación Español Urgente: Fundeu). Unidad y unificación no son lo mismo: la unidad ha existido siempre y con ella la variedad de la lengua, riqueza suprema de nuestras culturas nacionales; la unificación lleva a la pérdida de las diferencias culturales, que nutren al ser humano y son tan importantes como la diversidad biológica de la Tierra.
Culturas nacionales: desde que nacieron los primeros criollos, mestizos y mulatos en el continente hispanoamericano, las diferencias de colonización, las improntas que dejaron en las nacientes sociedades americanas los pueblo aborígenes, la explotación de las riquezas naturales, las redes comerciales coloniales fueron creando culturas propias, diferentes entre sí, aunque con el fondo común de la tradición española. Después de las independencias, cuando se instituyeron nuestras naciones, bajo diferentes influencias, ya francesas, ya inglesas; cuando los inmigrantes italianos, sobre todo, dieron su pauta a Argentina, Uruguay o Venezuela, esas culturas nacionales se consolidaron y con ellas su español, pues la lengua es, ante todo, constituyente. Así, el español actual de España no es sino una más de las lenguas nacionales del mundo hispánico. El español actual es el conjunto de veintidós españoles nacionales, que tienen sus propias características; ninguno vale más que otro. La lengua del siglo XXI es, por eso, una lengua pluricéntrica.
LARA, L. F. Disponível em: www.revistaenie.clarin.com. Acesso em: 25 fev. 2013.
O texto aborda a questão da língua espanhola no século XXI e tem como função apontar que
- A
as especificidades culturais rompem com a unidade hispânica.
- B
as variedades do espanhol têm igual relevância linguística e cultural.
gabarito - C
a unidade linguística do espanhol fortalece a identidade cultural hispânica.
- D
a consolidação das diferenças da língua prejudica sua projeção mundial.
- E
a unificação da língua enriquece a competência linguística dos falantes.
Resolução
O texto discute a diversidade e a riqueza das variedades do espanhol, enfatizando que cada uma possui suas características próprias e que nenhuma é superior a outra. Essa perspectiva é fundamental para entender a importância da pluralidade linguística, que é uma característica intrínseca das culturas hispânicas.
Primeiramente, o autor estabelece uma distinção clara entre "unidade" e "unificação". A unidade refere-se à coexistência de diferentes variantes da língua, que enriquecem a cultura e a identidade dos povos hispano-americanos. Por outro lado, a unificação é vista como um processo que pode levar à homogeneização cultural, resultando na perda das particularidades que tornam cada variante única.
O texto menciona que o espanhol de diferentes países, como Argentina, Uruguai e Venezuela, é influenciado por suas histórias locais, tradições e culturas. Isso implica que as variedades do espanhol não são apenas formas linguísticas, mas também expressões de identidades culturais. Portanto, a ideia de que todas as variantes têm igual relevância linguística e cultural é um ponto central da argumentação.
Além disso, a afirmação de que "a língua é, ante tudo, constitutiva" reforça que a língua não é apenas um meio de comunicação, mas um elemento fundamental na formação da identidade cultural. Assim, cada variante do espanhol contribui para um mosaico cultural mais amplo, onde as diferenças são valorizadas e respeitadas.
Dessa forma, a alternativa que destaca a igualdade de relevância das variedades do espanhol se alinha perfeitamente com a mensagem do texto, que defende a valorização da diversidade linguística como um aspecto essencial da riqueza cultural hispânica.