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#113LC · LinguagensENEM - 2012 - 2° Dia (zul)

Pote Cru é meu pastor. Ele me guiará.

Ele está comprometido de monge.

De tarde deambula no azedal entre torsos de

cachorro, trampas, trapos, panos de regra, couros,

de rato ao podre, vísceras de piranhas, baratas

albinas, dálias secas, vergalhos de lagartos,

linguetas de sapatos, aranhas dependuradas em

gotas de orvalho etc. etc.

Pote Cru, ele dormia nas ruínas de um convento

Foi encontrado em osso.

Ele tinha uma voz de oratórios perdidos.

BARROS, M. Retrato do artista quando coisa. Rio de Janeiro: Record, 2002. 

 

Ao estabelecer uma relação com o texto bíblico nesse poema, o eu lírico identifica-se com Pote Cru porque

  1. A

    entende a necessidade de todo poeta ter voz de oratórios perdidos.

  2. B

    elege-o como pastor a fim de ser guiado para a salvação divina.

  3. C

    valoriza nos percursos do pastor a conexão entre as ruínas e a tradição.

  4. D

    necessita de um guia para a descoberta das coisas da natureza.

  5. E

    acompanha-o na opção pela insignificância das coisas.

    gabarito
Resolução

Ao colocar o "Pote Cru" como seu Deus, evidenciado no trecho "Pote Cru é meu pastor. Ele me guiará. / Ele está comprometido de monge", o autor demonstra sua escolha pela insignificância das coisas. Além disso, a enumeração de "coisas" simples, do cotidiano, reforçam ainda mais essa ideia, como evidenciado em "De tarde deambula no azedal entre torsos de / cachorro, trampas, trapos, panos de regra, couros, / de rato ao podre, vísceras de piranhas, baratas / albinas, dálias secas, vergalhos de lagartos, / linguetas de sapatos, aranhas dependuradas em / gotas de orvalho etc. etc."