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#55CH · HumanasENEM - 2024 - 1º Dia (Azul)

A alma funciona no meu corpo de maneira maravilhosa. Nele se aloja, certamente, mas sabe bem dele escapar: escapa para ver as coisas através da janela dos meus olhos, escapa para sonhar quando durmo, para sobreviver quando morro. Minha alma durará muito tempo e mais que muito tempo, quando meu corpo vier a apodrecer. Viva minha alma! É meu corpo luminoso, purificado, virtuoso, ágil, móvel, tépido, viçoso; é meu corpo liso, castrado, arredondado como uma bolha de sabão.

FOUCAULT, M. O corpo utópico, as heterotopias. São Paulo: Edições N-1, 2013.


Esse texto reforça uma concepção metafísica clássica que remete a um(a

  1. A

    pressuposto lógico.

  2. B

    pensamento dicotômico.

    gabarito
  3. C

    contemplação da natureza.

  4. D

    raciocínio argumentativo.

  5. E

    crítica à individualidade.

Resolução

A resposta correta é a letra B, que se refere ao pensamento dicotômico. Essa concepção se baseia na ideia de que existem duas realidades ou dimensões distintas e opostas que interagem entre si. No contexto da filosofia e da metafísica clássica, essa dicotomia é frequentemente representada pela separação entre corpo e alma.
A visão dicotômica implica que o corpo e a alma são entidades separadas, com características e funções diferentes. O corpo é visto como a parte material, física e perecível do ser humano, enquanto a alma é considerada a essência imortal, espiritual e transcendental. Essa distinção leva a uma série de implicações filosóficas e éticas, onde a alma é frequentemente idealizada e valorizada em detrimento do corpo, que pode ser visto como algo inferior ou temporário.
Esse tipo de pensamento tem raízes em tradições filosóficas como a de Platão, que defendia a ideia de que a alma é a verdadeira essência do ser humano, enquanto o corpo é apenas um recipiente temporário. A dicotomia entre corpo e alma também é evidente em várias correntes religiosas e espirituais, que frequentemente enfatizam a importância da alma e sua relação com o divino, em contraste com a materialidade do corpo.
Portanto, a escolha da alternativa B está correta porque o texto reflete essa visão dualista, onde a alma é exaltada e considerada superior ao corpo, reforçando a ideia de que essas duas entidades são distintas e possuem características opostas. Essa separação é um exemplo claro de pensamento dicotômico, que é uma característica marcante da metafísica clássica.