Admin/Questões/#14 · ENEM 2007
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#14LC · LinguagensENEM - 2007

O açúcar

 

 O branco açúcar que adoçará meu café  

nesta manhã de Ipanema  

não foi produzido por mim  

nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.  

 

Vejo-o puro  

e afável ao paladar  

como beijo de moça, água

na pele, flor

que se dissolve na boca. Mas este açúcar  

não foi feito por mim.  

 

Este açúcar veio  

da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, [dono da mercearia].

 

Este açúcar veio  

de uma usina de açúcar em Pernambuco

ou no Estado do Rio  

e tampouco o fez o dono da usina.  

 

Este açúcar era cana  

e veio dos canaviais extensos  

que não nascem por acaso  

no regaço do vale.  

(...) 

 

Em usinas escuras,  

homens de vida amarga  

e dura

produziram este açúcar

branco e puro

com que adoço meu café esta manhã em Ipanema. 

 Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8.  

 

A antítese que configura uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e

  1. A

    o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar.

  2. B

    o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na boca.

  3. C

    o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se produz o açúcar.

  4. D

    a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do vale.

  5. E

    o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.

    gabarito
Resolução

Na poesia de "O açúcar" de Ferreira Gullar, observa-se uma antítese que é uma figura de linguagem a qual trata da aproximação de palavras de sentidos opostos. A palavra "amarga" se opõe a doçura do açúcar retratado na poesia, bem como a expressão "usinas escuras" opõe a cor branca do açúcar.