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#105LC · LinguagensENEM - 2012 - 2° Dia (zul)

O senhor

 

    Carta a uma jovem que, estando em uma roda em que dava aos presentes o tratamento de você, se dirigiu ao autor chamando-o “o senhor”:

    Senhora:

    Aquele a quem chamastes senhor aqui está, de peito magoado e cara triste, para vos dizer que senhor ele não é, de nada, nem de ninguém.

    Bem o sabeis, por certo, que a única nobreza do plebeu está em não querer esconder sua condição, e esta nobreza tenho eu. Assim, se entre tantos senhores ricos e nobres a quem chamáveis você escolhestes a mim para tratar de senhor, é bem de ver que só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de minha testa e na prata de meus cabelos. Senhor de muitos anos, eis aí; o território onde eu mando é no país do tempo que foi. Essa palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu entre nós um muro frio e triste.

    Vi o muro e calei: não é de muito, eu juro, que me acontece essa tristeza; mas também não era a vez primeira.

BRAGA, R. A borboleta amarela. Rio de Janeiro: Record, 1991. 

 

A escolha do tratamento que se queira atribuir a alguém geralmente considera as situações específicas de uso social. A violação desse princípio causou um mal-estar no autor da carta.

 

O trecho que descreve essa violação é:

  1. A

    “Essa palavra, ‘senhor’, no meio de uma frase ergueu entre nós um muro frio e triste.”

    gabarito
  2. B

    “A única nobreza do plebeu está em não querer esconder a sua condição.”

  3. C

    “Só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de minha testa.”

  4. D

    “O território onde eu mando é no país do tempo que foi.”

  5. E

    “Não é de muito, eu juro, que acontece essa tristeza; mas também não era a vez primeira.”

Resolução

O afastamento ou distanciamento entre os presentes no diálogo pode ser notado no uso da palavra"senhor" no trecho "

 Essa palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu entre nós um muro frio e triste".