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#105LC · LinguagensENEM - 2013 - 2° Dia (Amarela)

Olá! Negro

 

Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos

e a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor

tentarão apagar a tua cor!

E as gerações dessas gerações quando apagarem

a tua tatuagem execranda,

não apagarão de suas almas, a tua alma, negro!

Pai-João, Mãe-negra, Fulô, Zumbi,

negro-fujão, negro cativo, negro rebelde

negro cabinda, negro congo, negro ioruba,

negro que foste para o algodão de USA

para os canaviais do Brasil,

para o tronco, para o colar de ferro, para a canga

de todos os senhores do mundo;

eu melhor compreendo agora os teus blues

nesta hora triste da raça branca, negro!

Olá, Negro! Olá, Negro!

A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!

LIMA, J. Obras completas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958 (fragmento)

 

O conflito de gerações e de grupos étnicos reproduz, na visão do eu lírico, um contexto social assinalado por

  1. A

    modernização dos modos de produção e consequentemente enriquecimento dos brancos.

  2. B

    preservação da memória ancestral e resistência negra à apatia cultural dos brancos.

    gabarito
  3. C

    superação dos costumes antigos por meio da incorporação de valores dos colonizados.

  4. D

    nivelamento social de descendentes de escravos e de senhores pela condição de pobreza.

  5. E

    antagonismo entre grupos de trabalhadores e lacunas de hereditariedade.

Resolução

No verso apresentado, o autor discorre a respeito da preservação da cultura negra, afirmando que ela está presente mesmo quando tentam mitigá-la. Isso pode ser notado na musicalidade oriunda do sincretismo das diversas culturas negras (negro cabinda, negro congo, negro ioruba,) que viveram juntas submetidas a regimes escravocratas. Cultura essa, que se contrapõe ao enfado dos opressores da raça branca " nesta hora triste da raça branca, negro!/Olá, Negro! Olá, Negro!/A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!".