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#13LC · LinguagensENEM - 2017 - 1ª Aplicação - 1° Dia (Amarela)

  Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livros adúltero [ ... ].

  Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver, mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.

ASSIS, M. A causa secreta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 9 out. 2015.

 

No fragmento, o narrador adota um ponto de vista que acompanha a perspectiva de Fortunato.

 

O que singulariza esse procedimento narrativo é o registro do(a) 

  1. A

    indignação face à suspeita do adultério da esposa. 

  2. B

    tristeza compartilhada pela perda da mulher amada.

  3. C

    espanto diante da demonstração de afeto de Garcia. 

  4. D

    prazer da personagem em relação ao sofrimento alheio. 

    gabarito
  5. E

    superação do ciúme pela comoção decorrente da morte. 

Resolução

A situação exposta no texto do autor realista Machado de Assis explora um possível triângulo amoroso entre Fortunato, sua esposa e Garcia, amigo do casal. Assim, o trecho "Fortunato, á porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa" permite interpretar o sadismo presente em Fortunato ao observar o sofrimento de Garcia frente a falecida .