Eu me lembro de ser mandada para o canto da sala de aula por “responder” à professora quando tudo o que eu estava tentando fazer era mostrar a ela como pronunciar meu nome. Assim, se você quer mesmo me ferir, fale mal da minha língua. A identidade étnica e a identidade linguística são unha e carne — eu sou minha língua. Eu não posso ter orgulho de mim mesma até que possa ter orgulho da minha língua. Até que eu possa aceitar como legítimos o espanhol chicano texano, o Tex-Mex, e todas as outras línguas que falo, eu não posso aceitar a minha própria legitimidade.
ANZALDÚA, G. Como domar uma língua selvagem. Cadernos de Letras da UFF, n. 39, 2009 (adaptado).
O argumento da intelectual mexicana ressalta as dificuldades impostas pela
- A
construção súbita de barreiras físicas.
- B
precarização estrutural do ensino de idiomas.
- C
dissolução governamental da segurança jurídica.
- D
configuração política da experiência comunicativa.
gabarito - E
relativização pós-moderna da estratificação social.
Resolução
O argumento apresentado enfatiza a relação intrínseca entre a identidade étnica e a identidade linguística. A autora expressa que a língua não é apenas um meio de comunicação, mas uma parte fundamental de quem ela é. Quando a língua é deslegitimada ou menosprezada, isso afeta diretamente a percepção que a pessoa tem de si mesma e sua identidade.
A configuração política da experiência comunicativa se refere ao contexto em que a linguagem é usada e valorizada. Em muitos casos, a língua de um grupo étnico pode ser marginalizada ou desvalorizada por estruturas de poder que favorecem línguas mais dominantes. Isso pode levar a uma sensação de exclusão ou deslegitimação da identidade de indivíduos que falam essas línguas.
Além disso, a autora menciona a necessidade de aceitar e valorizar as variantes linguísticas, como o espanhol chicano texano e o Tex-Mex. Isso sugere que a luta pela legitimidade da língua é também uma luta por reconhecimento e respeito na esfera política e social. Assim, a configuração política influencia diretamente a forma como as experiências comunicativas são vividas e percebidas pelos indivíduos.
Portanto, a alternativa correta destaca a importância do contexto político na forma como as identidades linguísticas são moldadas e reconhecidas, refletindo a luta por aceitação e legitimidade dentro de uma sociedade que pode marginalizar certas vozes.