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#134LC · LinguagensENEM - 2016 - 2ª Aplicação - 2° Dia

Anoitecer

A Dolores

 

É a hora em que o sino toca,

mas aqui não há sinos;

há somente buzinas, sirenes roucas, apitos 

aflitos, pungentes, trágicos,

uivando escuro segredo;

desta hora tenho medo.

 

[...]

 

É a hora do descanso,

mas o descanso vem tarde,

o corpo não pede sono,

depois de tanto rodar;

pede paz — morte — mergulho

no poço mais ermo e quedo;

desta hora tenho medo.

 

Hora de delicadeza,

agasalho, sombra, silêncio.

Haverá disso no mundo?

É antes a hora dos corvos,

bicando em mim, meu passado,

meu futuro, meu degredo;

desta hora, sim, tenho medo. 

ANDRADE, C. D. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 2005 (fragmento).

  Com base no contexto da Segunda Guerra Mundial, o livro A rosa do povo revela desdobramentos da visão poética. No fragmento, a expressividade lírica demonstra um(a) 

  1. A

     defesa da esperança como forma de superação das atrocidades da guerra. 

  2. B

    desejo de resistência às formas de opressão e medo produzidas pela guerra. 

  3. C

     olhar pessimista das instituições humanas e sociais submetidas ao conflito armado.

    gabarito
  4. D

    exortação à solidariedade para a reconstrução dos espaços urbanos bombardeados. 

  5. E

    espírito de contestação capaz de subverter a condição de vítima dos povos afetados. 

Resolução

O texto apresenta um eu-lírico que está descrente em relação ao fim da guerra. Isso é demonstrado por sua falta de sossego, pois se sente apavorado, com medo e oprimido mesmo nos momentos de descanso e paz.