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#99LC · LinguagensENEM - 2013 - 2° Dia (Amarela)

Mal secreto

 

Se a cólera que espuma, a dor que mora

N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,

Tudo o que punge, tudo o que devora

O coração, no rosto se estampasse;

 

Se se pudesse, o espírito que chora,

Ver através da máscara da face,

Quanta gente, talvez, que inveja agora

Nos causa, então piedade nos causasse!

 

Quanta gente que ri, talvez, consigo

Guarda um atroz, recôndito inimigo,

Como invisível chaga cancerosa!

 

Quanta gente que ri, talvez existe,

Cuja ventura única consiste

Em parecer aos outros venturosa!

CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasília: Alhambra, 1995

 

Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo são julgadas em sociedade.

 

Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que

  1. A

    a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir de forma dissimulada.

    gabarito
  2. B

    o sofrimento íntimo torna-se mais ameno quando compartilhado por um grupo social.

  3. C

    a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza o sentimento de inveja.

  4. D

    o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar-se do próximo.

  5. E

    a transfiguração da angústia em alegria é um artifício nocivo ao convívio social.

Resolução

O eu lírico reflete sobre como determinadas pessoas, para se sentirem aceitas em um determinado âmbito social, simulam ser aquilo que elas não são.